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Betim · MG
Entre Tambores e Ancestralidade: o Legado da Cultura Afro-brasileira em Betim
Colunistas Ariane de Souza · 3 min de leitura

Entre Tambores e Ancestralidade: o Legado da Cultura Afro-brasileira em Betim

“Cultura afro-brasileira é raiz e pertencimento”: Ariane de Souza assina artigo especial sobre vivência quilombola, preservação patrimonial e a continuidade das tradições ancestrais em Betim.

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Falar sobre cultura afro-brasileira em Betim é falar sobre nossas raízes e pertencimento. É reconhecer uma história presente nas comunidades, nas famílias, nos quintais, nos terreiros, nas irmandades e nos conhecimentos transmitidos entre gerações.

Minha relação com essa história não começou na universidade, mas na vivência. Sou integrante da Comunidade Quilombola Dalmo de Assis e cresci aprendendo a valorizar as tradições e as pessoas que dedicaram suas vidas a manter nossa cultura viva. Com os mais velhos, aprendi que uma tradição precisa de cuidado, respeito, união e continuidade.

Quem olha de fora pode enxergar apenas o som dos tambores. Mas quem vive o Congado sabe que por trás de cada toque existe a fé, a dedicação, a história e o compromisso de transmitir esses conhecimentos às novas gerações.

Betim tem uma riqueza cultural que merece reconhecimento durante todo o ano. Ela está no Congado, nos povos de terreiro, nas benzedeiras, no samba, no carnaval, no RAP, no teatro e nos artistas locais. Também está em espaços como o Museu Paulo Araújo Moreira Gontijo, a Capela de Nossa Senhora do Rosário e a Casa da Cultura, que ajudam a preservar a memória da cidade.

Betim alcançou 17,89 pontos no Programa ICMS Patrimônio Cultural, ficando em 11º lugar entre 847 municípios. É um resultado importante, mas precisamos garantir que as oportunidades também cheguem às comunidades tradicionais e aos grupos que preservam nossos saberes ancestrais.

Acredito que a educação cultural tem um papel fundamental nesse processo. Quando uma criança conhece a história do Congado, um professor compreende os fundamentos de uma tradição ou um jovem reconhece suas raízes, estamos fortalecendo identidades e combatendo o apagamento da cultura afro-brasileira.
Preservar a cultura vai além de manter uma tradição viva. É garantir que ela seja respeitada, valorizada e transmitida com responsabilidade.

Neste Dia Nacional da Cultura, meu desejo é que Betim olhe com mais atenção para suas raízes e reconheça as pessoas e comunidades que fazem parte dessa história.

A cultura afro-brasileira é uma herança construída por aqueles que vieram antes de nós. Cabe a nós honrar essa história, manter vivas nossas tradições e garantir que esses saberes continuem sendo valorizados e transmitidos às próximas gerações.

Ariane de Souza
Biografia:
Ariane de Souza é analista de Customer Success (CS), possui MBA em Negócios e Gestão de Pessoas e é pós-graduanda em Africanidades e Cultura Afro-Brasileira. Quilombola da Comunidade Dalmo de Assis, atua na valorização e preservação da cultura afro-brasileira, especialmente das tradições do Congado, contribuindo para a continuidade dos saberes ancestrais por meio da oralidade, dos cantos, das vivências e de ações formativas. Sua atuação é marcada pelo compromisso com a memória, a ancestralidade e a transmissão desses conhecimentos às novas gerações.

Galeria · 1 foto

  • Ariane de Souza

Publicado em 5 de novembro de 2026

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