A cultura está presente na identidade de uma cidade, na memória de seu povo, nas manifestações artísticas que atravessam gerações e nas oportunidades que uma comunidade encontra para expressar sua criatividade e construir novos caminhos. Em Betim, essa riqueza se revela de diferentes formas: na música, na dança, no artesanato, nas tradições populares e nas iniciativas que fazem da arte um instrumento de encontro e transformação social.
Mas é importante olhar para a cultura também como um direito. O acesso às manifestações culturais e à formação artística não deveria depender da condição econômica ou do lugar onde uma pessoa nasceu. É justamente nesse ponto que Organizações Sociais desempenham um papel fundamental: aproximam crianças, jovens e famílias de oportunidades que muitas vezes não estariam ao seu alcance.
No Instituto Ramacrisna, acreditamos que a arte e a cultura são caminhos para o desenvolvimento humano. Ao longo de nossa trajetória, construímos iniciativas que mostram como o contato com diferentes linguagens artísticas pode ampliar horizontes, fortalecer vínculos e despertar talentos. A Orquestra Filarmônica Ramacrisna é um exemplo disso. Por meio da educação musical, crianças e jovens têm a oportunidade de aprender um instrumento, desenvolver disciplina, sensibilidade, trabalho em equipe e descobrir novas possibilidades para o futuro.
A cultura também está presente na valorização do conhecimento e da criatividade. Projetos como a Biblioteca Professor Arlindo Corrêa da Silva ampliam o acesso à leitura e estimulam o pensamento crítico, enquanto iniciativas de formação audiovisual, como a Antenados Produtora, aproximam os jovens da produção cultural e de um mercado que também pode representar oportunidades profissionais e geração de renda.
Esse trabalho revela uma dimensão importante: a cultura não se limita ao entretenimento. Ela pode ser uma porta de entrada para a qualificação, o empreendedorismo, a inserção profissional e a emancipação social. Quando um jovem descobre que pode tocar em uma orquestra, produzir um vídeo, contar a história da sua região ou transformar uma habilidade em profissão, ele passa a enxergar possibilidades que antes talvez não imaginasse.
Em uma cidade como Betim, que reúne diferentes histórias, origens e expressões culturais, fortalecer essas iniciativas significa também valorizar os territórios e reconhecer seus moradores como protagonistas de sua própria história. ONGs, poder público, empresas e sociedade precisam caminhar juntos para ampliar o acesso à cultura e criar espaços onde os talentos possam florescer.
Acredito que investir em cultura é investir nas pessoas e no futuro da cidade. Porque, quando a arte chega a uma comunidade, não leva apenas conhecimento ou entretenimento: leva pertencimento, autoestima, voz e oportunidades. E uma cidade que reconhece e valoriza a capacidade criativa de sua população também constrói caminhos para uma sociedade mais justa, participativa e inclusiva.
Solange Bottaro
Vice-presidente do Instituto Ramacrisna
Mini currículo:
Líder de projetos com 40 anos de experiência no 3° Setor, é Presidente da FUNDAMIG, Vice-presidente do Instituto Ramacrisna, sócia-fundadora do Rotary Club de BH Liberdade e ex-Presidente do CMDCA de Betim. Formada em Administração, com MBA em Gestão de Organizações do Terceiro Setor pela FGV e Especialização em Desenvolvimento de Lideranças pela Fundação Dom Cabral.
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Solange Bottaro



