Tratar o acesso à cultura como um direito fundamental da população é reconhecer
que a identidade de uma cidade não está em um único ponto do território. Em
Betim, município marcado por uma formação urbana que integrou vidas em
diferentes núcleos afastados do centro histórico, a descentralização das políticas
públicas é um ato de respeito à pluralidade de manifestações que compõem sua
memória coletiva.
Inserir a cidade no mapa da cultura exige ir além de grandes eventos pontuais.
Requer a consolidação de projetos estruturantes, mecanismos de fomento eficazes
e o fortalecimento contínuo de iniciativas independentes que surgem nos bairros e
nas regionais. Nesse sentido, a implementação da Política Nacional Aldir Blanc
(PNAB) no município, alinhada à escuta ativa da comunidade e aos editais
estratégicos como Letras Vivas , Expressões Urbanas e Muros Vivos , busca
contemplar a diversidade da nossa produção e democratizar o acesso aos recursos.
O desafio da descentralização tem como aliada a ocupação diversificada dos
espaços públicos e de convivência. A cultura está no cotidiano dos bairros e na vida
das pessoas, presente em ações na Praça Enedina Ferreira da Silva (Bom Retiro),
no Jardim Petrópolis, no Bueno Franco, no Homero Gil, no Jardim Teresópolis, na
Colônia Santa Isabel e na manutenção do Centro Popular de Cultura Frei Chico, no
bairro Santa Cruz/PTB.
Soma-se a isso o cuidado com a nossa memória. A preservação do patrimônio
cultural é visível na valorização dos saberes e nas ações de educação patrimonial
que percorrem espaços acessíveis à comunidade. Garantir que o Congado, o Ofício
da Benzeção, a Capoeira, as comunidades tradicionais afro-brasileiras e as novas
manifestações urbanas sejam percebidas e vivenciadas em cada regional é o
caminho para manter Betim atuante no cenário cultural.
Refletir sobre a nossa trajetória é renovar o compromisso de democratizar o acesso
a investimentos e ações, ouvir a voz dos territórios e fortalecer a arte como vetor de
cidadania, memória e desenvolvimento social. Nesse cenário de avanço, a
conquista histórica da reativação da Fundação Artístico-Cultural de Betim
(FUNARBE) a partir de 1º de janeiro de 2027, viabilizada pela Lei Municipal nº
8.234/2026, representa o amadurecimento institucional indispensável para garantir a
sustentabilidade e a continuidade dessas políticas a longo prazo.
Thiago Pereira da Silva Flores , 41 anos, é natural de Betim/MG, advogado, mestre
e doutor em Ciências Sociais, escritor e professor universitário. Atualmente, é
Secretário Municipal de Cultura de Betim, Presidente do Instituto de Ciência,
Tecnologia e Inovação (ICT Municipal), Presidente do Conselho Consultivo do
Patrimônio Cultural de Betim e Diretor Nacional do Movimento de Reintegração das
Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan).
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Thiago Flores



