Todo dia 16 de julho, a cidade homenageia sua padroeira, Nossa Senhora do Carmo. Mas essa história também revela capítulos importantes da memória, da arquitetura e da identidade cultural do município.
Quem passa pela Praça Milton Campos encontra um monumento que reproduz, de forma estilizada, a fachada da primeira Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo, construída no século XIX pelos primeiros habitantes de Betim. Durante décadas, a chamada “igreja velha” foi cenário de celebrações, encontros e momentos que marcaram gerações.
As lembranças desse período permanecem vivas na memória dos moradores. Alba Sobrinho recorda, em uma publicação feita por ela no Facebook, que a antiga matriz foi demolida em 1969, durante a gestão do prefeito Alvino Barbosa, após a avaliação de que o custo de uma restauração seria muito alto. Ela relembra na postagem histórias contadas pela avó, como a existência de sepultamentos sob o assoalho da igreja, e destaca que o templo ficava de costas para a cidade, seguindo a visão dos antigos governantes de que Betim cresceria em direção ao bairro Bandeirinhas.
A nova Igreja Nossa Senhora do Carmo, construída na Avenida Governador Valadares, acompanhou o crescimento urbano e deu continuidade à devoção à padroeira. Mesmo com a demolição da antiga matriz, sua memória permaneceu preservada no coração dos betinenses.
Em 1999, a cidade transformou essa lembrança em patrimônio. O arquiteto Flávio Almada venceu o concurso que deu origem ao memorial da antiga matriz, inaugurado na Praça Milton Campos. Em 2022, o espaço recebeu a Ermida de Nossa Senhora do Carmo, fortalecendo o resgate das origens da primeira capela de Betim.
Essa trajetória ganhou um novo capítulo em 16 de julho de 2025, quando a Igreja Nossa Senhora do Carmo foi elevada ao primeiro Santuário Arquidiocesano de Betim, reforçando seu papel como guardião da fé, da história e das tradições da cidade.
Segundo o reitor do Santuário, padre Hélio Parreiras, o local é o principal centro de devoção mariana de Betim, mas também um espaço onde a história da comunidade permanece viva. “Para o nosso santuário, esta data representa o ponto mais alto da caminhada de fé da comunidade, reunindo peregrinos, famílias e devotos em torno daquela que nos conduz ao seu Filho, Jesus Cristo”, afirma.
O sacerdote destaca ainda que o Santo Escapulário, símbolo da espiritualidade carmelita, representa um compromisso de viver os valores da oração, da fé e da caridade, elementos que ajudam a preservar a herança cultural construída ao longo da história de Betim.
Fotos: Reprodução internet
Instagram: @helioparreiras @nossasenhoradocarmo
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Padroeira de Betim -
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