Minas sempre foi muito forte na música... Como vocês veem a cena mineira de hoje e qual artista novo daqui vocês têm ouvido?
Fernanda Takai: A gente tem muitas mulheres fazendo música que são muito importantes. Posso citar, lembrando aqui, Augusta Barna, a Jéssica Gaspar, a Júlia Guedes, Nath Rodrigues. Só essas mulheres, olha só, elas fazem música muito diferente uma da outra. A gente sabe que ainda o mundo é sempre muito masculino né? Na parte de eventos e de bandas e tudo mais. E a gente vem com essas mulheres aqui de Minas, são poucas. Tem gente que vem fazendo coisa há muito tempo, né?
O Pato Fu sempre teve uma marca forte, do som ao visual. Como foi para vocês criar essa identidade própria da banda; e que dica vocês dão para os artistas locais descobrirem a própria identidade e usarem isso para alavancar a carreira?
Jhon Ulhôa: Desde umas ideias meio bestas, assim, da gente fazer uma foto, assim, com os dentes pintados de preto. Quer dizer, a gente queria uma coisa que não passasse batido. E o meu conselho é, não faça uma coisa que passe batido. É o meu conselho número um, assim, não faça mais do mesmo.
A lei de incentivo é um instrumento fundamental para a cultura prosperar. Este festival, viabilizado por esse mecanismo, oferece uma programação democrática, artistas locais dividindo espaço com uma trajetória consagrada como a de vocês. Qual é a importância do incentivo público na cultura?
Richard Neves: É um instrumento importantíssimo! Eu sou um artista que, para além do Pato Fu, que trabalha com outros artistas, que produz artistas, que também são beneficiados por essa própria lei, né? Artistas novos, que estão construindo a carreira, assim como o Pato Fu constrói há 34 anos. Então, eu acho que as pessoas, primeiramente, precisam estar atentos ao que a lei quer dizer, ao que ela significa e o que ela beneficia. Mas ela está aí para todos, disponível para todos.
Fernanda Takai: A lei é tão ampla né? Acho que falta conhecimento. A partir do momento que você conhece mais, você vê que uma das maiores características de quem recorre às leis de incentivo é que a prestação de contas é muito certinha. Não tem jeito de você sair fora de uma planilha, entendeu? É tudo cotado, é tudo com nota fiscal. Informando as pessoas, as pessoas vão aprendendo a acessar as leis, que estão abertas para todo mundo.